"O tempo não cura tudo, aliás, o
tempo não cura nada, o tempo apenas desloca o incurável do centro das
atenções."
É
difícil de explicar, tão quanto de sentir. Permeia minhas lembranças, afaga e
fere meu coração. As fotos me transportam àquele tempo, as cartas constroem uma
esperança, as mensagens consolidam-na. Os objetos na gaveta guardam consigo a
memória de você, de quem era, do que se transformou, do que será, e do que,
hoje, pensa ser. Mas o silêncio da sua voz, a escassez do seu corpo, a ausência do seu
cheiro, desaceleram, contraem o que edificamos. Jogam ao vento os anos, os
momentos, as singulares sensações descobertas em cumplicidade. Saudade... que
assola o meu ser, habita o corpo, entristece a alma, e descompassa a mente.
Saudade, do toque doce dos seus lábios, dos teus olhos fitando os meus, da
firmeza dos seus braços, do calor dos teus abraços. Da voz ao pé do ouvido, de
toda comédia, drama, romance, terror, vivido. Os erros nos afligiram, os outros
nos afetaram, a rotina nos desgastou, e as circunstâncias nos afastou. Mas
ainda assim, fica o gosto, fica o cheiro, reside o amor, o qual contradiz o
deslumbre que o ínfimo tempo a sós, te proporcionou.
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